As ondas de calor acontecem com mais frequência e tornaram-se uma realidade do dia-a-dia citadino. Nos desertos de betão, a falta de sombra e os poucos espaços verdes tornam os dias de temperaturas extremas mais difíceis de suportar.
E se, nos dias mais quentes, a cidade também pudesse dar um lugar para respirar?
Já não chega pensar em corredores verdes; as cidades precisam de encontrar novas formas de proteger quem vive nelas.
É neste contexto que surgem os refúgios climáticos. Espaços, interiores e exteriores, desenhados para oferecer conforto térmico, descanso e proteção durante períodos de temperaturas extremas.
Mas o que são refúgios climáticos?
Estas infraestruturas podem ser espaços interiores, como bibliotecas e equipamentos públicos com ar-condicionado, ou espaços exteriores, como parques, jardins e praças com sombra e acesso a água.
Independentemente da sua configuração, eles têm de cumprir com alguns requisitos:
- têm ser gratuitos
- devem ser acessíveis e prontos para acolher pessoas de todas as idades e capacidades;
- ter acesso a água potável;
- oferecer áreas de descanso;
- ter serviços sanitários;
- horários de funcionamento alargados;
Em suma, devem ser espaços que ofereçam proteção e convidem ao convívio.
Porque é que os refúgios climáticos são fundamentais?
Aqui não falamos só de conforto. Os refúgios climáticos protegem a saúde pública, tornam as cidades mais resistentes, promovem a inclusão e aproximam comunidades.
Eles ajudam a diminuir a exposição ao calor extremo e os riscos inerentes de desidratação e exaustão térmica.
A integração de vegetação, árvores e solos naturais, ajuda a diminuir as ilhas de calor urbanas e favorece a biodiversidade. Eles garantem espaços de descanso e proteção para quem não tem outra forma de se manter fresco na própria casa ou está mais exposto às temperaturas altas.
Os refúgios climáticos tornam-se pontos de encontro onde diferentes gerações podem descansar, conviver e partilhar o espaço público.
Como fazer um refúgio climático ao ar livre?
Cada cidade tem suas próprias características. Mesmo assim, existem alguns princípios fundamentais que podem ajudar a criar esses espaços:
- Sombra: dar prioridade à integração de vegetação, como árvores de grande copa e folha caduca, e complementar com a integração de pérgolas. É essencial garantir que ela seja abundante.
- Integrar a água: fontes e bebedouros que dão acesso à água potável e ajudam a tornar os dias quentes mais confortáveis. A água precisa ser vista como parte do espaço público.
- Aproveitar a ventilação natural: a forma como os espaços são organizados e onde as plantas ficam pode ajudar o ar a circular. Isso cria áreas mais frescas e confortáveis.
- Garantir conforto: adicionar bancos e espreguiçadeiras, estrategicamente instalados para aproveitar ao máximo as áreas de sombra, correntes de ar e proximidade à água.
- Acesso fácil: criar caminhos fáceis de usar e equipamentos feitos para diferentes pessoas é essencial. Um refúgio climático deve ser um lugar onde todos possam chegar, ficar e sentir-se bem.
Cidades preparadas para viver
Os refúgios climáticos mostram que mudar as cidades para lidar com as alterações climáticas não depende só de grandes obras ou de investimentos que demoram a ser implementados. Muitas vezes, são coisas simples, como uma árvore, um banco à sombra, um bebedouro ou uma pérgola, que mudam o dia a dia.
O desafio é pensar nesses elementos juntos e criar espaços públicos mais confortáveis, inclusivos e prontos para o futuro; criar oásis urbanos.
Não basta proteger as pessoas do calor. Também é preciso continuar a criar cidades onde as pessoas queiram estar.
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